Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Inspire-se! De 0 a 42km em 8 meses!


Dezembro e Janeiro de 2014, férias, praia e eu acima do peso ideal - não muito além, mas o suficiente para que as calças já não entrassem com facilidade e algumas outras peças do vestuário ficassem apertadas. A situação não me agradava, pois o pequeno sobrepeso e "barriga" não eram coisas que eu gostaria de ter comigo. Resolvi, então, voltar a correr (aos 17 anos comecei pelo mesmo motivo, mas não dei sequência).

Uma semana de cada vez - primeiro alguns trotes intercalados com caminhada; depois, adquirindo confiança, algum esforço além do normal; após algumas semanas, o que anteriormente era um sacrifício, se tornou um meio para o fim: mais saúde e melhor condicionamento físico.

Em meados de março, creio, fiquei sabendo de uma corrida que aconteceria em Urubuci/SC, na data de 14 de junho deste ano. O problema é que tal corrida teria a distância de 52km, sendo metade deles, literalmente, subindo morros. Refleti, analisei, e resolvi treinar forte para isso. Resumindo a história, me lesionei devido a tanto esforço, uma vez que meu corpo não estava acostumado a isso. 

"Sonho" frustado, quase 1 mês parado, era tempo de recomeçar; se já estava correndo quase 30km (nos treinos longos), agora era tempo de retornar ao primeiro quilômetro e entender o porquê me lesionei. Lendo, conversando e buscando informações, consegui entender: má postura, má pisada, péssima dinâmica durante a corrida... E lá comecei a "aprender a aprender". Tirei os tênis e corri algumas vezes descalço, a fim de aplicar a forma correta de pisada; passei a treinar o descer de morros numa cadência não tão brusca e usando as pernas da maneira como se deveria fazer.

Corridas aqui e acolá, sem nenhum objetivo em mente (o que me prejudicava nos treinamentos), pois havia desistido dos 52km anteriores, de repente ouço falar no Soloman Bombinhas 2014, uma maratona entre trilhas e praias com paisagens alucinantes (clique no link anterior), as quais muito me apeteceram. Todavia, um problema surgiu: eu não era páreo para correr 42km, ainda mais em trilhas íngremes! "Não importa", pensei, "o importante é estar lá e ver o que acontece".

Chega, finalmente, o grande dia. Eu e minha esposa acordamos às 04:30 e saímos às 05:20 rumo à cidade onde seria a largada. Presenciamos um nascer do sol belíssimo e que muito nos encantou.



Faltando alguns minutos para a largada, me ponho a pensar: "eu deveria estar aqui, tentando correr esta distância toda, sem mesmo ter me preparado adequadamente para ela?" Pouco importou o pensamento, tendo em vista que lá já estava e não era hora de desistir! Minha esposa me beija e que comece a corrida!



Nos primeiros quilômetros a alegria saía pela pele - tudo era novidade. A paisagem belíssima fazia com que qualquer pequeno esforço fosse subjugado a nada e o júbilo era constante. Trilha, costão, praia... tudo era magnífico.

Pouco a pouco chegou o primeiro desafio genuíno: um enorme morro (para mim, ao menos) com subida constante durante 1km - não teve jeito, tive que caminhar com outros corredores; um bom momento para conversas. Finalizado o morro, entramos na maior trilha da corrida - creio que algo em torno 7km de muita lama e terreno completamente irregular. Durante o trajeto, alternando entre corridas leves e caminhadas, minha coxa começou a dar fortes sinais de que eu estava no local errado, sem a preparação devida e isso que ainda tinham mais quilômetro pela frente! Mas, não havia o que fazer - precisava continuar, pois retroceder não era uma opção e mesmo que fosse, eram vários quilômetros para voltar!

Finalizo a trilha bendita (magnífica, agora em minha memória - enquanto corria, uma angústia que não acabava mais) e chego à estupenda praia de Zimbros. Pergunto à moça que estava indicando o caminho sobre quantos quilômetros era essa posição; obtive a resposta: estava no quilômetro 21 e ainda faltavam outros 21km! 

Sigo em frente, desta vez por um pequeno trecho de praia e novamente uma trilha, desta vez menor. Ali, água direto da fonte natural - sem palavras para o frescor! Porém, a coxa já clamava por sossego e me dizia para parar constantemente; o mental afirmava que deveria seguir adiante, afinal, minha esposa estava na linha de chegada me esperando e eu precisava ir ao encontro dela! As pedras pequenas se tornavam gigantes e cada valo na trilha era um sacrifício a ser vencido.

Volto à praia e me deparo com uma orla "infinita", parecendo não ter fim - e eu precisava ir, no mínimo, até o fim dela. A dor não me permitiria, porém, novamente, desistir, porque minha esposa estava na linha de chegada me esperando! Prossigo, rumo ao proposto.


Andando por toda a orla, com ínfimas corridas, chego ao seu fim e encontro outra pessoa que indicava o caminho seguinte (muitas pessoas ajudaram durante toda a prova - meu muito obrigado a todos!). Pergunto em quanto quilômetros já estava, pois, realmente, cria que não aguentava mais. O rapaz me diz que, possivelmente, estávamos no quilômetro 24. "COMO ASSIM?!" foi o que pensei! Eu andei por toda essa praia e só foram míseros 3km? Não pode ser! Tem que ser mentira! Mas era verdade.

Mais cansado e agora desanimado, com a coxa muito fadigada, sento num banco e fico esperando seja lá o que vier. Se eu tivesse avistado um moto táxi, certamente eu teria solicitado seus serviços. Aguardo sentado, sabendo que alguns corredores vinham atrás de mim - para a grata surpresa, vejo o grande colega (o conheci, primeiramente, pela internet) Rodrigo Ribeiro Rodrigues e sua esposa Bianca, os quais com muita receptividade vieram ter comigo e perguntaram se eu precisava de algo, ao que respondi: companhia para seguir adiante. E assim fizemos - e era hora de encarar outro morro.

Seguimos, eles um pouco à frente, algumas vezes me esperando e eu com a responsabilidade de aproveitar bem a companhia, pois se fosse deixado sozinho, deitaria e esperaria o sono me dominar, a fim de descansar. Do alto do morro, a paisagem era belíssima e tiramos algumas foto.


Trilha abaixo, finalmente! Chega de subir! É hora de descer! Mas, como? Ela, a indomável coxa, não me obedecia. Dizia, gritava, exclamava e quase me obrigava a parar - mas, quem manda sou eu, não ela, dizia minha mente. 

Final da trilha e ledo engano achando que as coisas melhorariam. Agora era tempo de continuar pelo mesmo morro, mas em direção a outro lugar. Recebo um pão de um corredor amigo (obrigado!) e prossigo. Quebro um pedaço de galho e faço um bastão, na esperança de que me ajude na subida. Frise-se: outro morro "infinito", no qual não consegui acompanhar o nobre casal. Segui, então, nada mais a fazer, sozinho, sol na cabeça, mochila que parecia pesar 10kg nas costas e um passo após o outro, pois minha esposa me esperava!

Chego ao fim do morro, após várias horas de exaustão e encontro outra moça gentil que indicava o caminho. Crendo, piedosamente que estava "quase lá", ouço a notícia bombástica: ainda faltavam 10km. NÃO! NÃO! E NÃO! Não podia ser possível! Eu já estava correndo/caminhando há quase 5:30 horas e ainda faltavam 10km? Algo estava errado! Sentei-me sem saber o que fazer.

Para minha esperança, eis que desce do morro um casal de corredores (Cesar e Priscila Carignano), também fazendo a prova e novamente são solícitos para comigo, perguntando se precisava de algo (infelizmente não tenho foto com vocês!) e me animando para continuar a caminhada.

Era o momento de correr pela praia de Mariscal, outra orla "mais que infinita". Seguimos trotando e a coxa já não existia - era tudo mental (o restante do corpo estava bem - graças!). A perna obedecia os comandos do cérebro, embora eu não saiba como ela se movesse. Trotamos, andamos, apreciamos a paisagem e seguimos caminhando. O casal foi bondoso para comigo e repartiu algumas guloseimas que tinham trazido, a fim de conceder um "novo gás" (qual, ó céus? tudo já se tinha ido!).

Chegamos ao final da praia e adivinhem? Mais morro! Sim! Era tudo o que eu desejava! Mas antes de o subirmos, novas pessoas indicando o caminhando e fornecendo água - tomei um copo, joguei outro sobre mim e levei um terceiro na mão, talvez como uma espécie de esperança. Subimos, subimos e descemos, até finalmente, sim! era o momento, chegamos na última praia (a mesma em que largamos). Algo de estranho, entretanto, acontece: a chegada ficava para a esquerda e nos orientaram a ir para a direita. Não, não era estranho, é que realmente tínhamos que passar por mais uma trilha! Sim! Outra! Mais subida!

Corremos, então, até o final da praia e outra pessoa gentil nos indicou o caminho - ao menos era a última trilha!


Acabamos de a percorrer, eu com a minha coxa invisível, pois não sabia como me movia, e precisávamos percorrer mais alguns minutos até a linha de chegada. Não podia acreditar no que estava acontecendo - estava chegando ao fim! Após todas as incontáveis lutas mentais para não desistir, eis que o caminho finalmente acabava! Tamanha foi a comemoração que sugeri ao casal que chegássemos, evidente, correndo na linha de chegada! Nada de caminhar!


E assim, após 7:19 horas de muita alegria, esforço, vontade de desistir, companheirismo e disposição, finalizei minha primeira maratona em trilhas.


Era hora de voltar pra casa!


Que venha a próxima corrida!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Existe diferença entre superar e extrapolar limites!


Estamos vivendo em tempos de muita influência da mídia sobre os esportes, isto é, muitas pessoas tem começado a praticar esportes pela quantidade de corridas, por exemplo, que tem sido divulgada. E isso é excelente! É realmente muito prazeroso encontrar inúmeros corredores, ciclistas e outros indivíduos praticando os mais variados esportes! O problema com tudo isso é que inúmeras pessoas acabam achando que superar limites é o mesmo que os extrapolar. 

Veja, por exemplo, as tristes cenas do vídeo abaixo:


Este vídeo é antigo e já foi postado uma centena de vezes nas redes sociais, mas me chamou a atenção quando determinada página no Facebook o divulgou e alguns comentários foram: "Wow! Isso que eu chamo determinação e motivação!" e "Eu admirei sua coragem e determinação". Pois digo totalmente o contrário: não admirei coisa alguma!

Ora, querido leitor, certamente as duas tri-atletas do vídeo (Welch e Ingraham) treinaram muito para chegarem àquela prova que tanto exige dos participantes, todavia, não é possível olhar as imagens e se sentir "motivado", pois que motivação há em tamanho sofrimento? Sim, eu sei que existe sofrimento em todos os esportes e ele faz parte do "jogo", mas creio, sinceramente, que as duas atletas, em vez de superarem seus limites, acabaram o extrapolando.

Por superar limites, entendo aquilo que é feito com cautela, buscando saber que os limites são estabelecidos paraprecaução, nos levando a não ir além, salvo se estivermos muito preparados. Já o extrapolar limites, entendo se tratar de pontos que cada um possui e não se deve ir além deles - por exemplo, seria extrapolar no caso de um iniciante na corrida, mesmo nunca tendo treinado decentemente, resolver participar de uma ultramaratona de 200km. 

E por que isso? Estaria eu dizendo que tal pessoa não tem "determinação"? Evidente que não, apenas que é insensato fazer determinadas coisas em certas ocasiões. É claro que muitas coisas fogem ao nosso controle e, raras vezes, só temos uma opção: ir com dor mesmo! Mas isso é bem diferente do que muitos tem feito, infelizmente.

Desta forma, trace seus limites e a medida que estiver preparando, os supere e lance outros! Entretanto, acautele-se quanto ao extrapolar aqueles que você sabe que não está nem um pouco preparado. Agindo assim, certamente sua atividade será muito mais prazerosa, lhe renderá longos anos de diversão e evitará grandes e perigosas lesões!

Bons treinos!

*Fonte da imagem: http://www.adrianjwalker.com/wp-content/uploads/2014/01/bigstock-Silhouette-Of-An-Exhausted-Spo-56076581.jpg

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quanto custa organizar uma prova?


Abaixo vai um descritivo simplificado com os custos envolvidos numa corrida. Espero assim que fique mais claro o quão caro é um evento e o quão difícil é obter lucros com corrida. Quem sabe eu consiga até jogar um pouco de luz nas margens de lucro.
Separei por tópicos, omiti todos os detalhes e valores. A prova é um 10km para 2.200 inscritos. Pra ser mais preciso, na corrida irão aparecer 2100 corredores. Cerca de 10% dos inscritos geram receita, mas não correm. Porém, vou usar um número de 5% debandits, os pipocas.
Ainda antes dos números. É uma prova simples. NÃO conta com uma EXPO como aGolden Four ASICS ou as da Yescom, que joga os valores nas alturas. Não tem ainda uma arena dos níveis de VetorIguana, CORPORE ou Latin Sports, o que joga o valor percebido bem para baixo.
O kit é simples: camiseta de tecido tecnológico simples, medalha, chip, sacolinha e toalha ou boné. Hidratação a cada 3km, lanche na chegada.
Com os números abaixo, você tem um kit que tem que custar R$75 para você empatar a prova no papel. Ou seja, você ainda NÃO tem nenhuma liberação dela na Prefeitura, Federações e órgãos de trânsito. Em uma prova em São Paulo ou Rio de Janeiro, isso pode chegar a 6 dígitos de custo em uma Maratona ou Meia Maratona (e o primeiro número não é o 1!).
Mais. O custo abaixo supõe que somente você sabe da prova, ninguém mais. Para vender 2.200 inscrições, você tem que fazer muito barulho. Essa quantidade de gente parece fácil em SP ou Rio, mas é BEM difícil mesmo em cidades como BH, Porto Alegre ou Brasília. Isso sem reforçar que é “fácil” cobrar R$75 em SP, mas complicado fazer o mesmo em Salvador ou em uma cidade do interior, por exemplo.
Você então pode partir fazendo um pacote de anúncios em veículos “verticais”, aqueles que só falam com corredores (como as 3 revistas principais, mais Webrun e outros). Nessa brincadeira você pode ter que desembolsar, por baixo, R$30.000 entre anúncios ou e-mails marketing. Se você quiser trabalhar no “corpo a corpo”, vai ter que imprimir muito folheto e terá ainda que distribuí-los. Mas esta é uma opção apenas de apoio, nunca é central em um evento desse porte. Mesmo os famosos blogueiros independentes que você quiser usar pra promover a prova, ganham e pedem inscrições caso você queira economizar. E pra cada cortesia, lembre-se, são R$75 a menos na sua receita.
Enfim, a coisa é complexa. Algum demagogo Jênio acha que idoso deve pagar 50%, então atente-se a isso. E para fazer as inscrições, prepare-se, a menos que você seja o dono de algum site do tipo, você tem que pagar um pedágio para cada atleta que se inscrever.
Pois quer saber quanto custa esse 10km para 2.200 pagantes que só você sabe que existe e que não tem ainda liberação para existir?
R$160.000.
Para dar uma dimensão, dentro de alguns dias vou escrever aqui sobre as maiores provas do país. As com mais de 3.000 concluintes são menos de 60! Ou seja, 2000 concluintes é um número bem arrojado. Se você quiser fazer uma prova menor por causa do custo, você até economiza nos kits e hidratação, mas a arena é algo quase fixo, seja com 1000 ou 4000 pessoas presentes. Há um meio termo que vai dizer qual o número ótimo.
Como por muito menos de R$220.000 esse evento não “sairá”. É bom você ter patrocinador pagando muito porque R$100 por inscrito é coisa para pouca prova de 10km cobrar de 2.200 pessoas!
Escrevi algumas coisas com certo tom de ironia, mas falo com segurança: conheço eventos operando tranquilamente no vermelho. Abaixo os detalhes.
ALIMENTAÇÃO/HIDRATAÇÃO: Esse tópico envolve corredores e staffs que – acredite! – também se alimentam e não trabalham de graça;
R$6.000
KIT ATLETA: Camiseta, sacolinha, boné e informativo;
R$51.000
EQUIPAMENTO e ESTRUTURA: Sistema de som, cronômetro, rádios comunicadores, estruturas dos balcões (retirada de kit, medalha, hidratação na chegada…), pórtico de chegada/largada, tendas, testeiras, placa de KM, placas indicadores, gradis, mesa de hidratação, mesas, banheiros químicos, gerador de energia e palco;
R$25.000
LOGÍSTICA: Suporte de carro, moto, Van e transporte de materiais;
R$3.000
MATERIAL DE APOIO: Cones, sacos, fitas, lixeiras, canetas, elásticos, buzina, corda, braçadeira, ferramentas, vassouras…
R$3.000
MATERIAL DE MERCHANDISING: Basicamente o material (telas) visuais e faixas que cobrem arenas, pórtico e placas…
R$13.000
PREMIAÇÃO: Medalhas mais troféus. SEM prêmios em dinheiro.
R$8.000
RECURSOS HUMANOS: Staffs, produção, carregadores, coordenadores, equipe de som, etc;
R$32.000
SERVIÇOS DE TERCEIROS: Ambulância, segurança, vigia, bombeiros, cronometragem, locutor, fotógrafo, limpeza, montagem, eletricista, etc;
R$18.000

*Escrito por Danilo Balu
**Retirado do site Blog Recorrido (publicado com autorização)
*** Fonte da imagem: http://make-a-web-site.com/wp-content/uploads/2013/07/website-costs1.jpg

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Qual a diferença entre correr e treinar corrida?


Correr é calçar um par de tênis e sair correndo sem controle, é fazer o que vier à cabeça, o que der vontade, é gostar de correr por aí e sentir bem por isso. Porém nesse caso, não tendo nenhum controle não significa ter sido um treino, será simplesmente uma corrida qualquer e o resultado poderá também ser um resultado qualquer.

Se buscamos resultados é preciso, organização e planejamento. Organizar é um processo essencial à realização de objetivos e planejamento é o ato de criar um plano para otimizar o alcance desse objetivo. O corredor que utiliza o planejamento como uma ferramenta de treinamento demonstra interesse em prever e organizar ações e processos que esperam acontecer no futuro, aumentando a racionalidade, eficácia e resultado.

Sendo assim: Planejar e controlar é treinar corrida!

Sabemos que treinamento é um processo que favorece alterações positivas de um estado físico, motor, cognitivo e afetivo (Martin, 1977). Portanto é fundamental nos orientarmos através de estímulos que serão capazes de provocar adaptações ao organismo. Caso não ocorram essas adaptações ficaremos apenas estagnados.

Esses estímulos são determinados através dos diversos métodos de corrida que podemos treinar e através desses métodos organizar de maneira coerente e previamente estabelecida todos os componentes de carga. Dessa maneira fica claro que é preciso controlar esses componentes que irão compor um treinamento.

Na corrida podemos nos orientar através do volume, intensidade, duração, densidade e freqüência. São esses componentes os responsáveis pela adaptação e melhora ao treinamento da corrida.

Em corrida entendemos que o volume representa o trabalho total realizado em termos de distância percorrida. A intensidade refere-se ao percentual de desempenho máximo, ou seja, uma determinada velocidade. A duração como a quantidade de tempo de aplicação do estímulo. A densidade como o resultado da relação entre estímulo e pausa para os métodos fracionados e a freqüência como a distribuição das sessões de treinos em uma semana.

E para direcionarmos a “Carga de Treinamento” no sentido de provocar respostas adaptativas objetivadas, orientamos seus componentes através da manipulação de algumas variáveis.

Entre elas podemos considerar o número de repetições e séries, a distância, a velocidade média (ritmo), os tipos de pausas (ativo, passivo, completo, incompleto) o tempo e até mesmo a inclinação ou declive.

Assim, através das variáveis do treinamento e dos componentes da carga conseguimos estabelecer uma carga de treinamento e aplicá-la aos métodos de corrida e com isso aprimorarmos as capacidades físicas pretendidas a cada treino, adaptando e alterando aspectos metabólicos além das mudanças miogênicas e neurogênicas levando então o corredor a realização de sua meta pessoal, seja esta correr uma determinada quilometragem ou diminuir seu tempo em relação a uma determinada distância.

Dessa forma podemos e começamos a compreender que treinar corrida é muito mais complexo do que apenas sair correndo por ai.

E ai, você corre ou treina?

*Escrito por Marcelo Camargo - Treinador de corrida (CREF 04989G/MG)
**Retirado do site 3Zone (publicado com autorização)
*** Visite o site do autor do texto: www.marcelocamargotreinamento.com
**** Fonte da imagem: http://wallpaperest.com/wallpapers/sports-running-track_790963.jpg

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Corredor, não seja um chato!


Você sabe como é: ficou anos sem praticar alguma atividade física e quando descobriu o prazer da corrida, fez logo questão de importunar seus amigos e familiares. Sim, você possivelmente ficou dizendo a eles que a corrida é a cura para todos as doenças, que "quem corre seus males espanta" e outras coisas mais, a fim de os animar a correr. 

Você foi além: inculcou à mente de que somente é possível ter saúde e condicionamento com a corrida. O parente que não corre e precisa de remédio tem a cura certa: ultramaratonas! Aquela barriga não tão “em forma” que você viu, já tem o diagnóstico: corrida em VO2 máximo ou tiros de 1km com descanso de 15 segundos!

Porém, lembre-se de que não é bem assim.

É verdade que a corrida proporciona grandes alegrias e de fato pode livrar de uma vida sem remédios ou com menos do que se levássemos uma vida sedentária, mas é preciso ter em mente que o verbo “correr” não é mágico, e sim a atividade física. Não é a corrida que tem algum super poder. A corrida deve servir ao corredor, fazendo um bem a ele e o levando a ter uma vida saudável. Correr deve ser um meio para o fim, ou seja, um caminho para alcançar uma vida social melhor, “podendo comer o que quiser”, tendo mais disposição e sabendo que se está queimando as calorias consumidas.

Quando o corredor não compreende estas verdades, em especial os mais recentes no esporte, acaba por ser tornar um chato dentro de sua vida social, um importuno – só sabe falar de corridas e quando ouve que alguém não gosta de correr, automaticamente lança aquele olhar de repúdio extremo por tal pessoa (ok, eu exagerei). Ao não se perceber que está forçando todos a correrem, o corredor em vez de animar os que ainda não praticam esta atividade, acaba fazendo com que os tais tenham uma visão de que o corredor corre para os outros, corre para fazer “check-in”, tirar "selfie" e enviar uma mensagem automática via rede social, como já disseram por aí; corre para poder contar sobre suas corridas. Resumindo, corre para aparecer.

Por isso, corredor, promova o esporte de maneira gentil e agradável – fale, sim, de suas corridas, aventuras e o quanto se esforça para conseguir bons tempos, das agradáveis paisagens que contemplou e daquele parceiro de corrida que o ajudou a completar a prova, mas entenda que nem todos desejarão ouvir e que o xadrez e a sinuca estão aí para quem gostar, bem como que quanto mais você insiste em falar somente de corridas, mais as pessoas tenderão a pular etapas nos treinos e poderão a se lesionar. Aliás, finalizando, cabe uma consideração sobre isso.

Correr, ao contrário do que inúmeros pensam, não consiste somente em colocar uma perna à frente da outra. Há toda uma biomecânica envolvida e se você exaltar a corrida demasiadamente, os mais iniciantes que você tenderão a imaginar que é algo muito banal, desprezando aprendizados importantes, sendo apenas uma questão de tempo para “quebrarem”. Assim, se você não deseja ser parte de mais um atleta que se lesionou porque treinou mal, vá devagar e ajude; sim, fale sobre suas corridas, mas não seja um chato.

Bons treinos!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...